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A história da minha relação com o Batuíra, em breves palavras é a seguinte:
Posted by Operários do Palco in Marco Nicolatto on 10 de janeiro de 2010
Quando me mudei para São Paulo, comecei a frequentar o Grupo Espírita Batuíra, que tinha à epoca a direção do saudoso Spartaco Ghilardi. Muito me surprenndeu saber que Batuíra havia sido ator, muito querido e dono de um dos dois únicos teatros existentes em São na época, chamava-se “Teatro da Cara Preta”, no largo São Francisco, ao lado da Faculdade de Direito.
Eu havia deixado a rede globo, após ser ator contratado pela casa por mais de cinco anos, poresta não corresponder`as aspirações do que eu queria dizer e viver através da arte. Vim para São Paulo para fazer teatro, mas mais uma vez decepcionei-me pela leviandade que caracterizava o meio e as produçoes, resolvendo-me a voltar para Belo Horizonte, minha terra natal, onde vivem todos os meus familiares.
Então resolvi largar a carreira após 20 mais anos de intensos sacrifícios. Foi quando me chegou uma carta, recebida através de TCI (transcomunicação), de Minas Gerais, enviada por um conhecido que não sabia o que eu estava fazendo, e muito menos quem era Batuíra, esta carta estava assinada pelo querido benfeitor Batuíra. Nela, além de referências às dificuldades que eu enfrentava, ele dizia para que eu não deixasse a arte, que ainda haveria muito tempo para realizar aquilo que o meu coração pedia.
Nesta mesma época, no grupo Batuíra, que passava por dificuldades em manter o número (elevado) de atendidos na creche. fiquei muito tocado pelos acontecimentos, fiquei pensando no que poderia fazer para ajudar, mas a minha carência de recursos era quase absoluta.
Então resolvi montar uma peça sobre a vida de Batuíra, para que através da venda de ingressos feitos pelos voluntários, que à epoca eram mais de quinhentos (cada um vendendo cinco) totalizaria a quantia necessária, já que eu não me propunha a ganhar um centavo que fosse. Isso há sete anos atrás. So que nunca havia escrito uma peça de teatro. Eu Já havia lido a biografia do Batuíra elaborada pelo Eduardo Monteiro de Carvalho, O livro “Mais Luz”, psicogrado pelo querido Chico, e tudo mais que achei disponível.
Então a noite, no silêncio Batuíra ia passando as cenas para mim, pelo menos eu assim entendia, e escrevi a peça, muito bonita e poética (eu sou suspeito). Então li para o seu Spartaco que adorou e pediu a diretoria que providenciasse o que fosse necessário para a realização.
Então li para o senhor Spartaco Ghilardi, presidente, do Grupo Espírita Batuíra e médium muito querido de todos nós, que adorou e se empenhou de todas as maneiras para que o espetáculo fosse realizado. Infelizmente a peça ainda não foi encenada, permanecendo inédita.
Então para mim o Batuíra é o meu padrinho, o amigo bondoso que me ensinou a escrever para o teatro.
Aqui também já estive na casa em que ele morava, vi onde escondia os escravos, e lugares que me fizeram emocionar com as lembraças deste destemido irmão, que por tanto tempo escreveu seus artigos no jornal assinando “Ninguém”, para somente no fim da vida passar a assinar “Alguém”.
E isso aí, mais obrigado,
Marco Nicolatto.