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Herdeiros do Novo Mundo

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Centenário de Chico Xavier movimenta mercado cultural espírita

SÃO PAULO – Segundo informações do último censo do IBGE, publicado em 2000, as pessoas que se declaram espíritas são 1,3% da população brasileira. O número é pequeno se comparado aos católicos e evangélicos, mas movimenta um mercado cultural de respeito. Estima-se, por exemplo, que dez milhões de livros espíritas foram vendidos em 2009. Nos cinemas, o filme “Bezerra de Menezes” conseguiu um público de 500 mil pessoas em 2008. Nos palcos, a edição de 2009 da Mostra de Teatro Trascendental reuniu 35 mil pessoas em Fortaleza. 

Este ano, esses números vão crescer. Isso porque 2010 é o ano do centenário do nascimento de Chico Xavier, maior nome do espiritismo brasileiro. No dia 02 de abril, data de seu aniversário, chega aos cinemas “Chico Xavier, o Filme”, produção da Globo Filmes que tem tudo para ser o maior sucesso do cinema brasileiro do ano. E este não será o único filme espírita de 2010 – outras duas produções estreiam no segundo semestre. 

Uma delas é “As Mães de Chico Xavier”, produzido pela mesma equipe responsável por “Bezerra de Menezes”, e que conta a história de mães que entraram em contato com os filhos mortos através do médium mineiro. A outra é “Nosso Lar”, baseado no livro de maior sucesso de Chico, e que retrata o plano espiritual segundo a visão espírita. O lançamento deste segundo filme está marcado para setembro. O primeiro ainda não tem data de estreia definida. 

Nas livrarias, o destaque é reedição de “As Vidas de Chico Xavier”, do jornalista Marcel Souto Maior, pela editora Leya. Originalmente publicado em 1994, o livro serviu de base para o roteiro do cinebiografia do médium e volta em edição que o autor considera “definitiva”. “Chico é uma figura controvertida, um mito polêmico, idolatrado por milhões de brasileiros e questionado por outros milhões de céticos”, avalia Souto Maior. 

Nelson Xavier, Zíbia Gasparetto e Chico Xavier

Divulgação/Agência Estado - Nelson Xavier, Zíbia Gasparetto e Chico Xavier

 

Uma das características que transformou Xavier em mito descrito por Souto Maior foi a psicografia. O dom de escrever sob inspiração de espíritos levou o médium a publicar mais de 400 livros, que venderam juntos cerca de vinte milhões de cópias. Criou ainda uma escola que tem fenômenos como a paulista Zibia Gasparetto, de 83 anos, cuja obra já ultrapassou alegados 25 milhões de volumes vendidos. 

Neste mercado, há espaço também para peças teatrais. A companhia Operários do Palco, por exemplo, existe desde 2001, sempre com espetáculos de temática espírita. O grupo, responsável por sucessos como “Paulo e Estêvão” e “A Vida de Emanuel”, estreia em março a peça “Herdeiros do Novo Mundo”. “Não fazemos pregação religiosa”, garante o diretor da companhia, Marco Nicolatto. “Apenas refletimos sobre questões humanas de uma forma positiva”, finaliza.

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A história da minha relação com o Batuíra, em breves palavras é a seguinte:

Quando me mudei para São Paulo, comecei a frequentar o Grupo Espírita Batuíra, que tinha à epoca a direção do saudoso Spartaco Ghilardi. Muito me surprenndeu saber que Batuíra havia sido ator, muito querido e dono de um dos dois únicos teatros existentes em São na época, chamava-se “Teatro da Cara Preta”, no largo São Francisco, ao lado da Faculdade de Direito.
  
Eu havia deixado a rede globo, após ser ator contratado pela casa por mais de cinco anos, poresta não corresponder`as aspirações do que eu queria dizer e viver através da arte. Vim para São Paulo para fazer teatro, mas mais uma vez decepcionei-me pela leviandade que caracterizava o meio e as produçoes, resolvendo-me a voltar para Belo Horizonte, minha terra natal, onde vivem todos os meus familiares.
Então resolvi largar a carreira após 20 mais anos de intensos sacrifícios. Foi quando me chegou uma carta, recebida através de TCI (transcomunicação), de Minas Gerais, enviada por um conhecido que não sabia o que eu estava fazendo, e muito menos quem era Batuíra, esta carta estava assinada pelo querido benfeitor Batuíra. Nela, além de referências às dificuldades que eu enfrentava, ele dizia para que eu não deixasse a arte, que ainda haveria muito tempo para realizar aquilo que o meu coração pedia.
 
Nesta mesma época, no grupo Batuíra, que passava por dificuldades em manter o número (elevado) de atendidos na creche. fiquei muito tocado pelos acontecimentos, fiquei pensando no que poderia fazer para ajudar, mas a minha carência de recursos era quase absoluta.
 
Então resolvi montar uma peça sobre a vida de Batuíra, para que através da venda de ingressos feitos pelos voluntários, que à epoca eram mais de quinhentos (cada um vendendo cinco) totalizaria a quantia necessária, já que eu não me propunha a ganhar um centavo que fosse. Isso há sete anos atrás. So que nunca havia escrito uma peça de teatro. Eu Já havia lido a biografia do Batuíra elaborada pelo Eduardo Monteiro de Carvalho, O livro “Mais Luz”, psicogrado pelo querido Chico, e tudo mais que achei disponível.
 
Então a noite, no silêncio Batuíra ia passando as cenas para mim, pelo menos eu assim entendia, e escrevi a peça, muito bonita e poética (eu sou suspeito). Então li para o seu Spartaco que adorou e pediu a diretoria que providenciasse o que fosse necessário para  a realização.
 

Então li para o senhor Spartaco Ghilardi, presidente, do Grupo Espírita Batuíra e médium muito querido de todos nós, que adorou e se empenhou de todas as maneiras para que o espetáculo fosse realizado. Infelizmente a peça ainda não foi encenada, permanecendo inédita.
 

Então para mim o Batuíra é o meu padrinho, o amigo bondoso que me ensinou a escrever para o teatro.

 
Aqui também já estive na casa em que ele morava, vi onde escondia os escravos, e lugares que me fizeram emocionar com as lembraças deste destemido irmão, que por tanto tempo escreveu seus artigos no jornal assinando “Ninguém”, para somente no fim da vida passar a assinar “Alguém”.
 
E isso aí, mais obrigado,
 
Marco Nicolatto.

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Teatro do outro mundo

Os 100 anos de Chico Xavier farão de 2010 um ano de muitas peças espíritas

Maiara Camargo, maiara.camargo@grupoestado.com.br

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O centenário de nascimento do médium Chico Xavier (1910-2002), em 2010, vai movimentar os teatros da cidade, com diversos espetáculos que trarão a temática espírita. Entre estreias e reestreias no início do ano, serão cerca de dez produções. Além do retorno de peças…

O segmento cresce e, com ele, surge uma trupe à qual não faltam histórias para contar (leia mais na página 3). Sem a ajuda de leis de incentivo, as companhias viajam o Brasil com o que chamam de ‘peças transcendentais’, nome adotado para evitar a ideia de pregação. Em coro, atores apontam como objetivo levar mensagens positivas não necessariamente para seguidores do espiritismo “São reflexões de esperança, não é para definir religião”, diz Marco Nicolatto, fundador da companhia Operários do Palco.

O grupo fundado em 2002 depois de Nicolatto abandonar seu trabalho como ator na Globo, estreia espetáculo em março. No início do segundo semestre, chega ao palco Sob as Mãos da Misericórdia, além das reestreias de A Força da Bondade e O Amor Jamais Te Esquece, todas de André Luiz Ruiz. Juntas, as duas últimas já receberam mais de 20 mil espectadores. “Ao contrário do que fazia na televisão, falo de coisas que me inquietam”, diz o ator, que atuou nas novelas Torre de Babel (1998) e Anjo Mau (1997).

Fonte: Jornal da Tarde

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